Negócios
Almost Anyone Can Make Money Selling Electricity With AI and Batteries – Bloomberg
Na Inglaterra, Andrew Austin transformou a própria casa em um pequeno negócio de energia: ele instalou uma bateria enorme, de 200 quilowatts-hora, compra eletricidade quando ela está barata durante o dia e devolve essa energia para a rede à noite, quando o preço sobe. Um computador cuida de tudo sozinho, e em poucas horas ele consegue ganhar cerca de 60 libras, chegando a até 400 libras por mês. Esse tipo de estratégia, antes restrita a grandes empresas do setor, ficou acessível a pessoas comuns por três razões: painéis solares, baterias e carros elétricos ficaram bem mais baratos, quase todos feitos na China; os preços da energia passaram a variar muito, em parte por causa das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio; e novas regras permitiram que casas paguem tarifas que mudam ao longo do dia. Especialistas da BloombergNEF confirmam que dá para economizar e até ganhar uma renda extra, mas alertam para o risco: quem abre mão da tarifa fixa pode pagar valores altíssimos nos horários de maior consumo, dependendo do lugar onde mora, dos equipamentos que possui e das leis locais.
A eletricidade tem uma característica curiosa: ela não fica guardada na rede, então a produção precisa acompanhar o consumo a cada instante, e por isso o preço sobe e desce o tempo todo, podendo até ficar negativo. Como as redes costumam ser controladas pelo governo, apenas alguns lugares, como a Austrália, parte da Europa e alguns estados dos Estados Unidos, deixam esse preço variável chegar direto ao consumidor. Medidores inteligentes mostram quanto custa a energia naquele momento e isso muda hábitos, como na Finlândia, onde aplicativos exibem o preço de hora em hora. Também na Inglaterra, Aaron Wilkes usou o ChatGPT e o Codex para programar seus aparelhos e seus dois carros Tesla, que reagem sozinhos às mudanças de preço; o ganho é pequeno, perto de 10 libras por mês, e o sistema às vezes falha, mas fornecedoras como a Octopus Energy limitam o prejuízo com um teto de preço. Na Austrália, onde 40% das casas já têm painéis solares, Mark Purcell montou um sistema com um pequeno computador Raspberry Pi que compra e vende energia automaticamente, chegando a ganhar 200 dólares em uma única noite e animando os vizinhos, embora tudo dependa da capacidade da rede local. No Arizona, Greg Robinson participa de um programa da FranklinWH com a Ava Community Energy, que junta as baterias de várias casas como se fossem uma usina; ele escolhe quanto empresta da sua bateria e já recebeu mais de mil dólares em um mês. No fim, ter a informação do preço na hora certa faz diferença, automatizar as decisões traz bons resultados desde que existam alternativas para quando algo falha, e mostrar o dinheiro que volta ao bolso convence muito mais gente do que falar apenas em cuidar do meio ambiente.
Em lugares como a Austrália e os Estados Unidos, moradores comuns descobriram um jeito curioso de ganhar dinheiro com a própria casa. Eles instalam painéis solares no telhado, uma bateria na garagem, às vezes ligam também um carro elétrico, e deixam um pequeno computador com inteligência artificial tomando as decisões. O truque é simples de entender: a eletricidade quase não pode ser guardada em grande quantidade, então ela precisa ser usada quase no mesmo instante em que é produzida. Por isso o preço muda de hora em hora, ficando baixo quando sobra energia (como no meio do dia ensolarado) e alto quando todo mundo usa ao mesmo tempo, como no fim da tarde. Quem tem uma bateria consegue guardar energia barata e devolvê-la à rede quando ela está cara, embolsando a diferença. Esse movimento de comprar barato, guardar e vender caro é antigo: é o mesmo do comerciante que estoca grãos na safra para vender na entressafra. Pessoas comuns, como um motorista de trem e moradores chamados Wilkes e Purcell, aparecem nesse tipo de história contada por jornalistas como Akshat Rathi e Olivia Rudgard, do Green Daily, mostrando que não é preciso ser engenheiro nem investidor para participar.
Só que existem armadilhas importantes nessa história. Trocar a conta de luz de preço fixo por um preço que muda a cada hora é abrir mão de uma espécie de seguro: se a estratégia for mal feita, a pessoa pode acabar pagando valores altíssimos em certos horários. Confiar cegamente no robô também é arriscado, porque ele pode errar sem avisar, como no caso de um carro elétrico que foi carregado justamente na hora mais cara. Antes de gastar com equipamento, vale observar o medidor inteligente que já está na parede há anos, descobrir quais são os horários baratos e caros da casa e testar mudar o uso de aparelhos pesados para as faixas mais baratas. E há uma questão maior, que quase ninguém comenta: esse lucro só existe porque poucos têm bateria. Quem ganha na hora cara depende de alguém pagando caro do outro lado, normalmente vizinhos sem painel, sem bateria e sem dinheiro para investir. Se todo mundo passar a armazenar energia, a diferença de preço tende a diminuir e o ganho some, restando apenas o custo do equipamento. Regiões onde isso já é comum, como a Austrália do Sul e a Califórnia, ajudam a observar esse efeito. No fundo, onde o preço oscila e alguém consegue estocar, nasce lucro — mas ele dura só enquanto poucos tiverem o estoque.
Ciência
Duke professor Dan Ariely’s research article retracted after fraud allegations – Dukechronicle
Um estudo muito famoso de 2002, feito pelo pesquisador Dan Ariely, da Universidade Duke, nos Estados Unidos, foi cancelado pela revista científica Psychological Science. A pesquisa falava sobre prazos e sobre o costume de deixar tarefas para depois. As suspeitas nasceram no blog Data Colada, criado por pesquisadores que conferem os dados de trabalhos já publicados. Eles perceberam resultados bons demais para serem verdade, informações repetidas e uma falta de variação natural, algo muito estranho quando se estuda pessoas reais. Também surgiram indícios de que os números tinham sido ajustados para agradar quem avaliava o trabalho, e uma nova tentativa de repetir o experimento não chegou ao mesmo resultado. O pedido de cancelamento veio de Klaus Wertenbroch, que assinava a pesquisa ao lado de Ariely, e a decisão final coube a Simine Vazire, editora-chefe da revista, que reconheceu não haver mais como confiar naqueles dados. Ariely admitiu que existiam problemas sérios e disse não ter explicação para eles. Não foi um caso isolado: outro trabalho dele, de 2012, sobre desonestidade, já havia sido cancelado em 2021. A Universidade Duke confirmou que houve mudanças nos dados de uma pesquisa dele, mas não conseguiu provar que a alteração foi proposital, e manteve a investigação em sigilo.
Depois disso, o Data Colada encontrou mais uma falha no mesmo estudo de 2002: os números sobre prazos de entrega teriam sido modificados para criar um resultado que não aparecia na versão original, de 2001. A análise apontou que 13 das 49 notas finais foram trocadas à mão por valores redondos, de um jeito que deixava a média igual, o que tornava a mudança bem mais difícil de notar. Além disso, o nome de Ariely apareceu 636 vezes em arquivos ligados a Jeffrey Epstein, incluindo sete encontros ocorridos após a condenação dele. A Universidade Duke fechou o centro de pesquisa dirigido por Ariely, mas negou que a decisão tivesse ligação com esse assunto. Casos assim mostram algo importante: a ciência tem a capacidade de corrigir a si mesma, ou seja, erros e informações falsas podem ser descobertos e consertados com o tempo. Só que essa correção não acontece sozinha. Ela depende de pessoas dispostas a examinar com atenção o que já foi publicado, fazer perguntas incômodas e investigar quando algo parece estranho. Isso exige coragem, porque questionar um estudo pode abalar carreiras e reputações construídas ao longo de muitos anos, e também porque admitir falhas costuma ser doloroso. E nem toda fraude é fácil de enxergar: quando alguém altera os dados mantendo a média igual, o resultado geral parece o mesmo de antes, e a manipulação fica quase invisível para quem apenas dá uma olhada rápida.
Dan Ariely é um psicólogo que ficou famoso no mundo inteiro estudando justamente a desonestidade das pessoas. Um dos estudos assinados por ele, sobre assinar um documento no começo em vez do fim para as pessoas mentirem menos, acabou sendo retirado oficialmente em 2021, depois que surgiram indícios de que os números tinham sido inventados. Quem descobriu isso foram três estatísticos que mantêm o grupo Data Colada: Uri Simonsohn, Leif Nelson e Joe Simmons. Eles perceberam algo curioso ao abrir a planilha original: de quarenta e nove valores, treze tinham sido trocados de um jeito muito específico, que mantinha a média final exatamente igual à verdadeira. Como a média é o único número que quase todo mundo confere, a alteração ficou escondida onde ninguém costuma olhar, ou seja, na distribuição dos dados um por um. O estudo já tinha sido citado mais de 2.200 vezes por outros pesquisadores antes de alguém desconfiar. Ariely afirma não ter memória nem documentos para explicar o caso, e a universidade envolvida diz levar o assunto a sério, mas nem confirma se existe uma investigação em andamento. Perto dessa história, apareceu também o nome de Jeffrey Epstein, ligado a financiamentos e contatos que ninguém tinha questionado antes.
O ponto mais importante, porém, não é o escândalo de uma pessoa só. A ideia de que a ciência se corrige sozinha soa bonita, mas na prática essa correção dependeu de pouquíssimos voluntários dispostos a abrir uma planilha e questionar um pesquisador famoso, arriscando a própria carreira. Não foi um comitê, nem uma revista, nem uma universidade. A pesquisadora Simine Vazire, que estuda como a própria ciência funciona, duvida da real capacidade da psicologia de se consertar sozinha. Existe ainda um problema maior: essa fraude só apareceu porque, por sorte, os dados originais estavam disponíveis. Onde eles não existem mais, erros ou invenções podem sobreviver por décadas sem que ninguém perceba. Também pesa a pressão para publicar resultados bonitos, que às vezes vira um pedido implícito para que o número saia do jeito esperado. Um caso parecido aconteceu com o psicólogo holandês Diederik Stapel, que inventou dezenas de estudos e confessou. Diante de tudo isso, dois cuidados simples ajudam qualquer pessoa: perguntar de onde vieram os dados por trás de um número impressionante e checar se alguém já tentou repetir o estudo e o que aconteceu. Nem tudo na ciência é mentira, e também não se trata de um caso isolado: o que fica é a lição de que uma ordem só parece perfeita enquanto ninguém confere a camada que todos presumiram já estar conferida.
Saúde
Andrew Huberman, neurocientista da Universidade Stanford e apresentador do programa de áudio Huberman Lab, alerta que luz artificial demais à noite prejudica o sono, desregula o corpo e pode até aumentar o risco de câncer, inclusive em crianças que ficam muito tempo diante de telas. Para ele, a vida moderna afasta as pessoas de hábitos saudáveis, e por isso reuniu no livro “Protocols” cerca de 50 práticas simples e quase todas gratuitas. Dez ganham destaque: tomar sol, que ajuda hormônios como testosterona e estrogênio; aprender a se acalmar rápido; treinar com pesos por cerca de 45 minutos; e dormir de lado, o que pode reduzir o risco de demência. Um ponto central é o cortisol, hormônio que deve subir de manhã, dando ânimo e concentração, e cair à noite. Quando isso se inverte, a recuperação piora e o estresse dura mais. Duas atitudes ajudam: beber meio litro a um litro de água ao acordar e olhar a luz do dia na primeira hora, de preferência ao ar livre, sem vidro no caminho; em dias nublados também funciona, e quem acorda antes do sol pode usar lâmpadas muito fortes. A pesquisa UK Biobank ligou dias claros e noites escuras a menor risco de morte precoce, e um estudo feito na Suécia associou mais sol a uma vida mais longa. A luz do sol baixo é mais amarelada, tem menos radiação ultravioleta e traz luz vermelha e infravermelha, que entra alguns centímetros na pele, melhora as células e reduz picos de açúcar no sangue. Trabalhos do pesquisador Glen Jeffery mostram que olhar essa luz por um a três minutos nas primeiras horas melhora a visão depois dos 40 anos, algo defendido também pelo médico Roger Seheult. Pegar luz natural no fim da tarde, sem óculos escuros, protege os olhos da luz artificial da noite, o que Huberman brinca chamar de “vacina contra a Netflix”; em adolescentes isso funciona menos, pois telas noturnas elevam o cortisol e desregulam o açúcar no sangue.
A manhã também pede exercício, de preferência nas primeiras três ou quatro horas, alternando musculação cerca de três vezes por semana, com movimentos como agachamento, levantamento terra e barra, e atividades de respiração acelerada, como caminhada rápida ou bicicleta. O banho frio, segundo ele, não aumenta o cortisol, e sim substâncias ligadas ao alerta e ao foco, como adrenalina e dopamina; o que eleva o cortisol é o estresse mental e o esforço muito intenso. À noite ajudam respirações com sopro longo, banho quente ou massagem, além de horários fixos de treino e refeições. Encarar desafios fortalece uma região da frente do cérebro apelidada de “área da tenacidade”, ligada ao prazer e à recompensa, e essa calma treinada serve para qualquer situação tensa. Nos primeiros 20 ou 30 segundos de um susto, a parte frontal do cérebro quase para, então o melhor é não reagir; ela também enfraquece com cansaço, estresse e álcool, e, como lembra Brooks, energia e sentido nascem do esforço. Na comida, a ideia é comer o suficiente, priorizar proteínas como ovos, carnes magras e peixes, incluir fermentados com pouco açúcar, preferir azeite com um pouco de manteiga e entender que carboidratos são combustível: alimentos como arroz, macarrão e aveia equilibram o cortisol e trazem estabilidade. Para o estresse agudo, Huberman estudou militares de forças especiais, neurocirurgiões como Eddie Chang e hipnose clínica com David Spiegel; num estudo com realidade virtual, comparando meditação, respiração em quadrado e o método de Wim Hof, o mais eficaz foi o suspiro fisiológico, duas inspirações pelo nariz e uma expiração longa pela boca, que reabre bolsas de ar nos pulmões e desacelera o coração pelo nervo vago. Para voltar a dormir, valem cerca de dez expirações longas e mover os olhos fechados em várias direções; cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts criaram até uma máscara que estimula esses músculos. Ele conta que testou pinealon e doses muito pequenas de peptídeos como tirzepatida e retatrutida, esta da empresa Eli Lilly, e explica que remédios do tipo GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, reduzem fome, inflamação e vontade de álcool e açúcar, tendo nascido de uma substância encontrada no lagarto monstro de Gila, com riscos como apatia e problemas de visão em quem já tem o canal do nervo do olho estreito, algo prevenido com exame simples. O BPC-157, ligado ao intestino, acelera recuperação de tendões e nervos, mas gera dúvidas teóricas sobre tumores. Ele evitou falar de hormônios e psicodélicos no livro por falta de comprovação, citando o médico Abud Bakri, e reforça que o essencial é dormir bem, beber água, tomar sol, se exercitar e comer bem. Em conversa com Steven Bartlett, que relatou experiências com psilocibina e DMT, ele contou ter passado por usos clínicos de MDMA e psilocibina, capítulo que considera encerrado, e disse que só o comportamento e a química mudam o cérebro, embora valorize a fé: reza diariamente há quase três anos, pedindo humildade e clareza.
Andrew Huberman conta que sua fé ficou guardada por muitos anos e voltou com força depois de fases difíceis e de ver o sofrimento das pessoas ao redor. O trabalho em neurociência do amigo Eddie Chang o convenceu de que existe algo no cérebro que a matéria sozinha não explica, e uma conversa com o pai, que é físico teórico, mostrou que até a física mais avançada pede confiança em cálculos que fogem da lógica comum, com a diferença de permitir construir coisas testáveis. Ele reconhece que não há prova lógica ou matemática de Deus, que a fé caminha junto com a dúvida e que precisa ser praticada. Convidado por um ex-diretor de neurociência da Universidade Stanford, falou sobre o tema ao lado de Arthur Brooks, assumindo ser o menos preparado da mesa. Lembrando experimentos em que estimular o cérebro muda o que a pessoa enxerga, ele defende que a realidade percebida é limitada pelos sentidos: assim como ninguém vê luz infravermelha sem aparelhos, talvez a fé funcione como um sentido a mais. Critica tanto a religião imposta quanto o ateísmo militante, que compara a uma “anorexia espiritual”, e usa a imagem da sede como sinal de que a água existe. Também acredita que a inteligência artificial, criada por pessoas, não vai responder dúvidas que os próprios humanos não respondem. Ele reza antes de entrevistas, pedindo humildade e clareza. Steven Bartlett liga essa busca ao individualismo e à solidão de hoje, e diz ter começado a rezar também. Huberman fala de um cuidado que cresce em círculos, da comunidade ao planeta, valoriza o espanto diante do mundo, ideia ligada ao pesquisador Dacher Keltner, sugere conhecer diferentes versões da Bíblia mesmo que o caminho termine no ateísmo, e descreve as fases do amadurecimento: a criança acha os pais perfeitos, o adolescente se decepciona, o adulto se julga autossuficiente e, no fim, percebe que ninguém tem todas as respostas.
Na parte prática, ele recomenda dormir em ambiente bem escuro, com máscara ou tampões, e, ao acordar de madrugada, fazer respirações longas ou mexer os olhos com as pálpebras fechadas para voltar a dormir. À noite, luzes fracas ou modo vermelho, porque luz forte reduz a melatonina e aumenta o cortisol. De manhã, sol, movimento e água. Para o trabalho mental, sugere de 1 hora e meia a 2 horas de concentração intensa por dia, sem celular por perto. Explica que aprender exige erro e um pouco de adrenalina, e que errar cerca de 15 por cento das vezes é o ponto ideal; remédios que bloqueiam essa adrenalina, como o propranolol, atrapalham o aprendizado. Para memorizar, o melhor é se testar, inclusive pedindo questionários difíceis a ferramentas como o ChatGPT, e ler livros desafiadores por prazer. Cita Masud Husain, da Universidade de Oxford, que achou pessoas com sinais de Alzheimer sem demência e pacientes com Parkinson capazes de correr em emergências. Em seu novo livro, “Just Do It”, trata de uma região do cérebro chamada córtex cingulado médio anterior e do crescimento pessoal, reconhecendo a influência de Martha Beck e do analista James Hollis, para quem uma vida boa pede gratidão, autocuidado, cumprir bem os papéis do dia e, principalmente, reservar um tempo diário sem objetivo nenhum para escutar desejos mais profundos. Huberman pensa a vida em blocos de cerca de 5 anos, vê o sono como uma faxina do cérebro, faz 10 respirações ao acordar como teste pessoal e diz que quem dorme bem não precisa de suplementos; entre os que usa estão magnésio, ômega-3, vitamina D, alfa-GPC com alho, cafeína e creatina. Aconselha de 7 a 8 mil passos por dia, escadas, caminhadas de 30 minutos após as refeições e pequenos movimentos a cada 45 minutos, lembrando os estudos de Rothwell e Stock sobre o gasto do movimento espontâneo e uma pesquisa da revista Science segundo a qual o metabolismo cai pela perda de músculo e falta de movimento, e não pela idade, como mostram pessoas ativas na terceira idade, entre elas Twyla Tharp e Mike Snyder. No fim da conversa, ele e Steven Bartlett trocam elogios, falam de design e de moda britânica, com marcas como Ben Sherman e Fred Perry, e Bartlett anuncia o lançamento do novo livro para setembro.
O corpo humano funciona como um relógio, e a luz é o botão que acerta esse relógio todos os dias. Receber luz forte nos olhos na primeira hora da manhã, de preferência saindo na rua e olhando para o céu, ajuda o corpo a entender que o dia começou. Isso levanta o cortisol logo cedo, e é justamente esse pico bem definido pela manhã que permite que ele desça bastante à noite, na hora de dormir. O cortisol, aliás, não é um vilão: ele funciona como um hormônio de preparação, avisando o corpo de que algo vem pela frente e enviando energia. O problema nunca foi o pico, e sim a curva achatada, aquela que sobe devagar, nunca chega ao topo e também nunca volta ao repouso. Ficar em luz artificial de telas depois do fim da tarde faz o corpo se comportar como se estivesse em turno da noite, mesmo sem ninguém estar trabalhando. Uma proteção simples e gratuita para isso é pegar a luz natural no fim do dia, olhando o sol descer por alguns minutos.
Na prática, algumas rotinas simples ajudam bastante: treinar sempre no mesmo horário, caminhar um pouco depois das refeições, usar expirações longas e lentas para acalmar o corpo em momentos de tensão, reservar um tempo diário de silêncio sem estímulos e, para estudar, se testar cometendo alguns erros em vez de apenas reler a mesma coisa. Os erros mais comuns são tentar apagar o cortisol como se ele fosse um inimigo e correr atrás de atalhos, como suplementos, remédios e substâncias da moda, antes de organizar o básico: sono, luz, comida, água e movimento. Esse modo de olhar aparece nos estudos do neurocientista Andrew Huberman, autor do livro Protocols, e de outros pesquisadores, como Glen Jeffery, que investiga os efeitos da luz vermelha nas usinas de energia das células, e Jack Feldman, que estuda a respiração. Vale lembrar que nem todo mundo controla o próprio horário: quem trabalha de madrugada, mora sem janela, tem dois empregos ou cuida de crianças pequenas nem sempre consegue seguir tudo isso, e as recomendações não deveriam virar motivo de culpa. A ideia central, no fim, é que saúde não vem de fugir do esforço, mas de construir um ritmo capaz de subir com força na hora certa e voltar por inteiro ao descanso.
