Tecnologia
A new, inexpensive Chinese AI model is catching up with Anthropic, OpenAI on their home turf
A new, inexpensive Chinese AI model is catching up with Anthropic, OpenAI on their home turf. Uma nova inteligência artificial chinesa chamada GLM-5.2, criada pela empresa Z.ai, está chamando muita atenção no mundo da tecnologia. Ela é muito boa em tarefas de programação e em atividades complexas, e custa bem menos do que os modelos feitos por empresas americanas como a OpenAI e a Anthropic. Essa situação lembra o que aconteceu antes com outra inteligência artificial chinesa, a DeepSeek, por isso muita gente está chamando esse momento de “mini momento DeepSeek”. O GLM-5.2 subiu rapidamente em rankings que medem a qualidade de inteligências artificiais, ficando em 5º lugar geral e em 2º lugar em tarefas de programação, chegando a custar seis vezes menos que as versões americanas. Pessoas influentes da área de tecnologia, como Sridhar Ramaswamy, Marc Andreessen e David Sacks, elogiaram essa inteligência artificial chinesa, dizendo que ela tem qualidade parecida com os modelos americanos mais avançados, como o Opus 4.8, da Anthropic, e o GPT 5.5, da OpenAI. David Sacks chegou a pedir que o governo dos Estados Unidos evite criar regras que prejudiquem as próprias empresas americanas de inteligência artificial, já que a distância tecnológica em relação à China está diminuindo rapidamente. Parte desse interesse também vem de problemas nas empresas americanas: a Anthropic enfrenta restrições e o lançamento do GPT-5.6 está atrasado, o que faz programadores e empresas buscarem alternativas mais baratas e de código aberto, que podem ser ajustadas por qualquer pessoa.
Apesar de tantas vantagens, existem barreiras para o uso dessa tecnologia chinesa, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Empresas americanas temem problemas de segurança com seus dados, especialmente em setores sensíveis como bancos, e trocar de sistema de inteligência artificial pode levar meses até funcionar com segurança. Na Europa, questões políticas envolvendo a China também fazem muitas empresas evitarem essa adoção, mesmo sabendo que o produto é bom e barato. Ainda assim, um exemplo mostra como essa mudança pode ser rápida: o modelo chinês DeepSeek R1 fez o uso de tecnologia chinesa saltar de 3% para 13% em apenas dois meses, principalmente em países em desenvolvimento, chegando a afetar ações de empresas americanas de tecnologia. Especialistas explicam que é possível usar essas ferramentas chinesas com segurança, rodando-as em computadores americanos ou locais para proteger os dados. Empresas pequenas e startups estão adotando essas soluções mais rápido que as grandes corporações, pois se importam mais com o preço e o funcionamento do que com o país de origem. Assim, o mercado de inteligência artificial não está sendo tomado de uma vez pelas opções chinesas, mas sim dividido aos poucos entre diferentes fornecedores, mostrando que o que realmente importa hoje é a eficiência e o custo, não a origem da tecnologia.
Essa mudança toda mostra algo importante: quando fica muito mais barato copiar a qualidade de um produto, a vantagem deixa de ser de quem tem mais dinheiro e passa a ser de quem entrega a solução mais simples e mais em conta. É como quando um produto genérico fica tão bom quanto uma marca famosa, e as pessoas param de se importar com o rótulo. Algo parecido aconteceu quando fábricas japonesas alcançaram os padrões americanos em eletrônicos e carros, décadas atrás. A diferença agora é que copiar um programa de inteligência artificial é muito mais rápido do que copiar uma fábrica inteira, então essa mudança acontece em uma velocidade muito maior. Por isso, a vantagem que empresas americanas tinham nesse tipo de tecnologia está enfraquecendo, e ninguém parece estar conseguindo criar inovações rápidas o bastante para manter essa liderança. Curiosamente, as próprias regras e restrições dos Estados Unidos, feitas para impedir que empresas usem tecnologia chinesa, podem estar fazendo o efeito contrário: empurrando ainda mais gente para essas alternativas mais baratas.
Ainda existem perguntas importantes que precisam ser levadas em conta antes de tirar conclusões apressadas. Muitas vezes, comparações de desempenho entre modelos de inteligência artificial são tratadas como verdades absolutas, mas será que essas medições realmente são neutras, ou já vêm influenciadas pela disputa política entre países? Além disso, há um detalhe que muda tudo: quando a decisão de usar ou não uma tecnologia é tomada por motivos políticos, e não por qualidade ou preço, empresas que precisam seguir regras rígidas podem recusar um produto mesmo sendo ele melhor e mais barato. Isso significa que o fator custo nem sempre é o que decide o vencedor. A grande questão que fica no ar é: em que momento esse uso crescente, mas ainda parcial, de tecnologias chinesas de inteligência artificial deixa de ser apenas uma alternativa e passa a representar uma divisão permanente entre dois mundos tecnológicos que não se comunicam mais entre si?
Cultura
The Ample Rewards of Ben Lerner’s Slender New Novel.
A verdadeira criatividade não nasce de copiar perfeitamente o que já passou, mas sim de transformar as memórias e influências em algo totalmente novo. O escritor Ben Lerner mostra isso ao criar histórias que misturam lembranças pessoais com a ficção. Em uma de suas obras, um jovem escritor viaja até Providence para entrevistar seu idoso mentor, Thomas. Após perder acidentalmente o aparelho de gravação, o rapaz decide reconstruir toda a conversa usando apenas a memória e a imaginação. Esse ato de reinventar a realidade é um recurso antigo, parecido com o que o pensador grego Platão fez ao transformar o mestre real, Sócrates, em um personagem literário. Inspirado também pelo autor Alexander Kluge, Lerner defende que a fantasia ajuda a dar um novo sentido aos fatos reais. Afinal, como explicava o pensador Emerson, as pessoas buscam nos outros o seu próprio potencial, mas o crítico Bloom alerta que apenas imitar os ídolos gera obras sem vida. A verdadeira arte surge quando as influências são modificadas para encontrar uma voz única.
Essa capacidade de transformar o sofrimento e os traumas familiares em algo positivo também é uma forma de cura e renovação. Na relação com mentores ou parentes, como no caso de Thomas, que escondia as frustrações atrás dos livros, a escrita serve como uma ferramenta para quebrar ciclos de dor que passam de geração em geração. Lerner faz isso ao reescrever a famosa e triste obra “O Veredicto”, de Franz Kafka, transformando um final trágico em uma mensagem de esperança. Em seus outros romances, como “Leaving the Atocha Station”, “10:04” e “The Topeka School”, ele explora como as mentiras e os momentos difíceis da infância podem ser superados pela união e pelo afeto entre as pessoas. Em um mundo onde as telas de celular muitas vezes provocam isolamento, a arte de contar histórias ajuda a aproximar as famílias e a resolver velhos conflitos. No fim das contas, aceitar as falhas do passado e escolher o perdão mostra que o amor verdadeiro é sempre muito maior do que qualquer erro cometido.
Muitas vezes, as pessoas carregam dores, hábitos e estilos de seus familiares e de criadores do passado de forma totalmente inconsciente. Esse processo de herdar padrões emocionais e criativos é algo natural da humanidade, um tema debatido desde o filósofo Platão até pensadores modernos como Ralph Waldo Emerson, que refletiu sobre a missão do poeta, e Harold Bloom, que estudou como os autores lidam com a influência de quem veio antes. O grande desafio, que aparece de forma marcante nas histórias de Franz Kafka sobre julgamentos e artistas da fome, e nos livros de Ben Lerner — como 10:04, Estação Atocha, A Escola de Topeka, Transcrição, e As Neves de Veneza, escrito em parceria com Alexander Kluge —, é aprender a lidar com esse passado sem cair em armadilhas. Essas armadilhas acontecem quando alguém copia exatamente as influências antigas por medo de inovar, ou quando apaga por completo os fatos reais, destruindo a verdade do que realmente aconteceu.
Para superar isso e encontrar uma voz própria, a solução está em filtrar ativamente as lembranças e aceitar que a memória humana não é perfeita. Em vez de buscar uma precisão rígida sobre os fatos, as pessoas podem reinterpretar suas dores e transformar pequenos erros do cotidiano em novos significados cheios de afeto, um processo que o crítico Giles Harvey elogiou ao analisar o impacto das obras de Ben Lerner. Com o tempo, as lembranças familiares tendem a se apagar e se perder, mas o esforço criativo funciona como uma ferramenta para resgatar o que restou e dar um novo rumo à história pessoal. No final, criar não significa reproduzir o passado de forma idêntica, mas sim ter a coragem de usar a imaginação para remodelar as feridas antigas e transformá-las em caminhos de cura e de renovação.
Jocko Podcast 547: How to Master Uncertainty.. Rich Diviney, que foi comandante dos Navy SEALs, explica como as pessoas podem lidar melhor com o medo e o estresse em situações de muita pressão. Segundo ele, o medo nunca some completamente, mas pode ser controlado com prática repetida em situações que assustam; sem esse treino constante, porém, o medo volta com força total. Ele explica que a ansiedade é, na verdade, uma espécie de história que a mente cria sobre um futuro que ainda não aconteceu, e por isso os SEALs treinam para focar apenas no que podem controlar, em vez de imaginar todos os desastres possíveis. Quando o corpo entra em alerta extremo, a parte do cérebro responsável por pensar racionalmente quase para de funcionar, e o corpo passa a agir no automático, por isso o treino serve justamente para ensinar reações corretas mesmo sob pressão. Diviney apresenta uma técnica chamada “horizontes móveis”, que ajuda a reduzir o medo ao responder três perguntas simples: quanto tempo a situação vai durar, como sair dela e qual será o resultado final. Ele também explica que dividir uma meta grande em pequenas conquistas ajuda a manter a motivação, porque o cérebro libera uma substância chamada dopamina a cada pequena vitória; por isso as metas precisam ser desafiadoras, mas possíveis de alcançar, nem muito distantes, nem fáceis demais. Ele ainda recomenda técnicas simples para acalmar o corpo, como respirar fundo, abrir o campo de visão e usar uma respiração especial conhecida como suspiro fisiológico, que ajuda a ativar a parte do sistema nervoso ligada à calma.
Diviney também fala sobre 36 características que cada pessoa carrega, como paciência, humor ou empatia, e diz que não é necessário melhorar todas elas, já que algumas fraquezas podem até ser úteis em certas situações, como no caso de médicos de emergência que precisam manter pouca emoção para agir com clareza. Ele defende que equipes fortes surgem da mistura de personalidades diferentes, e que a identidade de uma pessoa, ou seja, quem ela realmente é, pesa mais do que suas habilidades técnicas na hora de agir sob pressão. Da mesma forma, para ele, empresas e times também têm uma identidade coletiva, que precisa ser construída com clareza pelos líderes, e não apenas por meio de metas soltas. Diviney explica que a confiança dentro de um grupo se constrói aos poucos, apoiada em cinco pilares: coragem, competência, consistência, caráter e compaixão, e que muitos times falham por cuidarem apenas dos dois primeiros, esquecendo de realmente se importar com as pessoas. Ele afirma que um mau desempenho geralmente mostra que a pessoa está na função errada, não que ela seja incapaz, e que um bom líder precisa agir de acordo com os valores que ensina, já que pequenos comportamentos, como atrasos ou quebra de regras, acabam sendo copiados pela equipe e moldam toda a cultura do grupo. Por fim, ele conta que seu irmão, piloto de um avião de caça chamado Harrier, sobreviveu a um acidente grave ao se ejetar de uma aeronave que caía de cabeça para baixo em direção à água, e lembra que quase todos os acidentes aéreos acontecem por erro do próprio piloto, muitas vezes por excesso de confiança, reforçando sua ideia de que cada pessoa é responsável pelas próprias decisões, tanto no céu quanto na vida cotidiana.
Esporte
Tennis Has a New Problem: Sinner and Alcaraz Are Too Good. Jannik Sinner e Carlos Alcaraz são dois jovens tenistas que estão dominando o tênis mundial de um jeito quase nunca visto antes. Nos últimos cinco anos, eles se enfrentaram 17 vezes em competições importantes, e desde 2024 dividiram entre si praticamente todos os grandes títulos do esporte, incluindo os 4 torneios mais importantes do ano, conhecidos como Grand Slams. No passado, o tênis também teve uma fase de forte domínio, com Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic brilhando por cerca de 20 anos, mas eles surgiram aos poucos, um depois do outro, dando tempo para o público se acostumar com cada novo craque. Já Sinner e Alcaraz explodiram ao mesmo tempo, criando uma diferença tão grande em relação aos outros jogadores que a distância entre o segundo e o terceiro colocado do ranking é maior do que a distância entre o terceiro colocado e o jogador que ocupa a posição mil. Sinner joga de um jeito sólido e consistente, enquanto Alcaraz é mais criativo e imprevisível, e essa combinação deu origem ao apelido “Sincaraz” para a rivalidade dos dois. Mesmo sendo os principais rivais um do outro, eles mantêm uma relação amigável, chegando a treinar juntos e viajar nos mesmos voos entre torneios, o que mostra que a disputa é mais esportiva do que pessoal.
Esse domínio tão grande trouxe um efeito colateral importante: os torneios ficaram mais previsíveis, já que quase sempre são eles dois que chegam à final. Quando um dos dois perde, geralmente é por causa de lesão ou problema físico, e não porque outro jogador jogou melhor. Isso aconteceu em Roland Garros, na França, quando Sinner saiu ainda no início da competição por causa de cãibras causadas pelo calor, abrindo caminho para Alexander Zverev vencer seu primeiro grande título. Mesmo assim, nenhum outro jogador conseguiu aproveitar essas brechas para se firmar no topo do ranking. Jovens promissores, como Jack Draper, João Fonseca e Arthur Fils, são vistos como possíveis futuros desafiantes, mas ainda enfrentam limitações, como lesões ou falta de consistência para vencer os dois de forma repetida. Muitos fãs, como a torcedora Katie Turner, moradora de São Francisco, nos Estados Unidos, passaram a acompanhar o tênis com mais paixão por causa dessa rivalidade, acordando cedo até para assistir a torneios menores. Especialistas acreditam que, mesmo parecendo repetitivo, esse momento é tão raro e especial que vai deixar saudade quando um dos dois finalmente perder espaço no topo do esporte.
